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Maratona de Golfe por todo o Estado de São Paulo, por Fernando Ruiz

Fernando Ruiz

Em busca de novas experiências e sensações no golfe, rodamos mais de 7.000 km pelas estradas do estado, que já conta com 60 campos e espaços de golfe!

Há décadas ouvimos aqui no Brasil sobre como o golfe é um esporte elitizado, pouco praticado e quase sem espaços para a prática do esporte… Pois bem, esta história está mudando. E para comprovar isso (e também obviamente me divertir muito e me deliciar com as novas descobertas), realizei em 2021 uma “maratona” pelos campos de golfe do estado de São Paulo. Estive com amigos, família ou sozinho em quase todos os campos do estado (exceção de alguns poucos, privados e de difícil acesso). Compartilho então aqui os “achados” e histórias que podem ser legais e úteis para golfistas e não-golfistas. Shot gun dado!

Fonte: CBGolfe

Tee 1: Localização dos campos. O estado de São Paulo conta com 60 campos e instalações para a prática do golfe! 45 estão a menos de 100 km da capital, 10 entre 100 e 200 km e apenas 5 campos a distâncias maiores.

Tee 2: Tipos de campos. O número de praticantes vem crescendo cada vez mais e os espaços perfeitos para treinamento são os driving ranges. Além dos ranges dos próprios campos, no estado já existem 5 espaços totalmente dedicados aos treinamentos de golfe. O espaço mais típico para se jogar golfe em um campo é em um clube de golfe. E já são 21 no estado todo.

Mas o número de campos de golfe dentro de residenciais vem crescendo bastante, e já são mais de 15 residenciais temáticos de golfe em São Paulo. Algumas famílias de grandes posses construíram campos de golfe em suas fazendas. Existem atualmente 9 fazendas com campos privados de golfe no estado. E tipicamente são campos espetaculares, com designs feitos por grandes nomes internacionais. Mas estes sim, campos mais difíceis de se jogar somente pagando o green-fee. Outro tipo de propriedade com campo de golfe são hotéis. Em São Paulo são 3 hotéis com campos associados.

Campos de Golfe do Estado de São Paulo

Fontes: Federação Paulista de Golfe, GolfPass, CBG e adaptação do próprio autor

Damha

Tee 3: Campos mais lindos. Um dos grandes prazeres do golfe é estar tipicamente em um ambiente de imersão na natureza, estar em um lugar esteticamente lindo e de muita tranquilidade. Em São Paulo, chamam a atenção para a beleza dos campos, o Damha em São Carlos, o Ipê em Ribeirão Preto, o Arujá, o Guarapiranga, perto da represa em São Paulo, o Paradise em Mogi das Cruzes, o Portal do Japy, em Cabreúva e o campo mais antigo do Brasil, o São Paulo Golf Club.

Ipê

 

 

 

 

 

Tee 4: Buracos mais espetaculares do estado. É incrível pensarmos que somente no estado de São Paulo temos 774 buracos de golfe, cada um cuidadosamente pensado, desenhado, construído e mantido. Poderíamos indagar quais são os mais fantásticos, seja lá o que isso queira dizer (Beleza? Desafio? Hazards? Água em volta? Exótico?). Saltam aos olhos em minha visão os seguintes buracos:

Japy

Portal do Japy – Vista e Buraco Espetaculares

  1. Buraco 18, par 3 em ilha, Paradise.
  2. Buraco 5, par 3 com lago, Ipê, Ribeirão Preto.
  3. Buraco 16, par 3 descendo e com lago, Guarapiranga.
  4. Buraco 2, par 3 em grande declive, Arujá Golf Club.
  5. Buraco 5, tee em fade ao lado da represa, Anexo Golfe, Avaré.
  6. Buraco 2, par 5, com um coqueiro no meio do green, Santa Rita, São José dos Campos.

Buraco 18 – Paradise Golf Club

  1. Buraco 9, par 3 sobre o lago e floresta, São Francisco, Osasco.
  2. Buraco 17, par 3, com green na ilha, Guarujá.
  3. Buraco 15, par 3, tee saindo do alto do penhasco, com green lá em baixo e com vista maravilhosa, incluindo templo budista, Portal do Japy. Penhasco
  4. Buraco 17, par 4, com green ao lado da represa, Clube de Campo de SP.
  5. Buraco 2, par 3 sobre um lago, Quinta do Golfe, São José do Rio Preto.
  6. Buraco 2, par 4 com tee off sobre uma floresta e green após um lago, Riacho Grande.

 

Buraco 2 – Santa Rita, São José dos Campos

Tee 5: Melhor infra geral. Golfistas conhecendo um campo novo esperam além de um desenho, traçado e buracos em ótimo estado, uma infraestrutura de apoio no campo o mais completa: driving range, putting green e chipping/pitching area para treinamento, vestiários completos, restaurantes, casa de tacos e golf carts, banheiros e abastecimentos de água no meio do campo e até uma loja de golfe se possível, além de outros espaços de lazer como piscinas e outras modalidades esportivas. Infra de campos do PGA, é verdade. Difícil achar tudo isso no Brasil. Mas alguns campos em São Paulo chegam bem próximo de ter todos estes itens e de ótima qualidade. Eu diria que o Clube Ipê, o Arujá Golf Club, o Paradise e o Clube de Campo de São Paulo são os clubes abertos (com acesso livre e não privado, com pagamento de green-fee) mais completos do estado. Obviamente os de acesso restrito SP Golf Club, Fazenda Boa Vista, Baronesa, Fazenda da Grama e São Fernando também têm infraestruturas fantásticas.

Tee 6: Campo mais desafiador. O Vista Verde é um campo lindo, mas chama a atenção pelo desafio de se jogar bem devido à inclinação, aos vários hazards espalhados pelo campo, bastante água e às florestas em meio aos buracos.

Vista Verde Golf Clube

Tee 7: Dimensões dos campos. Quanto às dimensões dos campos do estado, quase a metade deles (26) são campos de 18 buracos. Outros 25 têm 9 buracos, mas a maioria com saídas de tees diferentes entre a 1ª e 2ª voltas. Um campo de 27 buracos e outro tem 36 buracos (2 campos de 18). Além disso, dos 5 driving ranges do estado, 2 deles possuem um pequeno campo de par 3 para a prática do golfe. fora do range. São aproximadamente 275 mil jardas, ou 250 km de campos de golfe (se somarmos as jardas de todos os campos do estado)!

Tee 8: Green fees e panorama geral do golfista visitante. Nos campos do estado gasta-se de 100 a 200 reais tipicamente de green-fee de 18 buracos, mas para alguns campos este valor pode chegar a 300-400 reais de fins de semana. Os campos tipicamente permitem levar crianças ou acompanhantes do golfista. Apesar da sugestão de dress code, não há uma formalidade grande na maioria dos campos e você conseguirá sim jogar vestido da maneira que se sente mais confortável. Com exceção dos sábados pela manhã, em praticamente todos os campos não é necessário marcar tee-time.

Tee 9: Acampar em um campo de golfe? Ainda atrelada a uma imagem de requinte e elitismo, difícil imaginar a situação de se acampar em um campo de golfe, certo? Pois fizemos isso, eu e minhas filhas no campo de Ibiúna, onde fomos muito bem recebidos. Se às vezes é difícil conciliar o golfe e o tempo com a família, por que não levar a família para o campo e ainda de uma forma muito divertida? Acordar as 5 da manhã ao lado do driving range, ver o nascer do sol começando do tee 1, só você no campo inteiro, foi uma experiência fantástica.

Ibiúna Golf Club

Tee 10: Agrupando os campos em golf trips. Os golfistas tipicamente adoram conhecer campos novos. Mas muitas vezes uma dificuldade é a distância e o deslocamento para os campos. Mas uma forma de conhecer mais campos, em menos tempo e com menor deslocamento é planejar viagens de alguns dias ao redor de alguns campos de golfe e tentar jogar em todos. No estado de São Paulo são várias as viagens em clusters geográficos de campos/localidades possíveis (incluindo aqui somente os de fácil acesso, não privados):

  1. Clube de Campo de SP / Guarapiranga
  2. Arujá / PL / Paradise / Taiá / Moralogia
  3. Champs Privé / Sapezal / Japy / Fazenda da Grama / Campinas
  4. Riviera / Guarujá / Santos-São Vicente
  5. Imperial / Quinta da Baronesa
  6. São Fernando / Vila da Mata / Vista Verde / Terras de São José / Lago Azul
  7. Clube dos 500 / Santa Rita em São José dos Campos
  8. Anexo Golf / Avaré Golf Country
  9. Fazenda Itapema Limeira / Damha / Broa / Ipê
  10. Bastos / Bauru / São José do Rio Preto

Tee 11: Hole-in-one. Evento muito improvável e raro no golfe, todo golfista busca seu primeiro hole-in-one e depois quantos mais conseguir. Jogando há 1 ano e pouco, eu ainda não havia feito o meu. Mal sabia eu que algo ainda mais raro aconteceria no meu 1º HIO. Estava eu treinando no Honda Golf Center, na capital, um dia qualquer, quando no buraco 6 eu acerto meu 1º “ace”. Na hora curti muito, mas como estava batendo mais de uma bola por buraco, decidi bater outra, já bem empolgado… E lá se foi a 2ª bola, quase em câmera lenta, caprichosamente também para o buraco e com a trajetória exatamente igual à 1ª. Dois hole-in-ones seguidos! Qual é a probabilidade disso??? Ok, vários dirão, corretamente, que estes meus hole-in-ones tiveram vários “probleminhas”… 1) Eu estava sozinho e ninguém mais presenciou; 2) Eu estava batendo sem valer nada, sem pressão de torneios etc; 3) Estava batendo diversas bolas por buraco para treinar e, portanto, bem mais fácil acontecer; 4) É o buraco mais curto do campo que já é um campo só de par 3…. Ok, ok, mas, sinceramente, jogamos golfe para nós mesmos ou para os outros? Me diverti e vibrei muito neste dia!

Buraco 6 – Honda Golf Center

Tee 12: Handicap. Para os iniciantes ainda sem handicap, mas que queiram tirá-lo, alguns pontos: o estado tem alguns campos com custo-benefício ótimo de mensalidade para jogar várias vezes no mês incluindo a taxa de handicap da federação. Riacho Grande, Sapezal e o Campinas Golf Center são ótimas opções para quem não quer gastar horrores com a taxa da Federação e ainda estar ligado a algum clube. Fica a dica também: claro que você pode dar os seus cartões para a secretaria do clube “imputar” os seus jogos e atualizar seu handicap, mas se você mesmo faz pelo site da Federação, certamente vai aprender ainda mais sobre a teoria, regras e formalidades de medidas no golfe (course rating, slope rating, cartões válidos para contagem oficial de handicap etc).

Tee 13: Torneios. Ligado ao tema acima, tipicamente tira-se o handicap não só para ver e acompanhar seu nível e evolução no jogo, como para lhe permitir jogar torneios, dado que a maioria deles exige handicaps oficiais para se jogar. Boa parte dos torneios do estado aceitam e têm categorias até handicap 36, mas alguns torneios só entram jogadores até handicap 25 e alguns poucos mais rígidos somente até 19. Existem também uma gama de torneios mais informais, jogados com contagem stableford, ou em formato scramble, por equipes etc. Seja qual for seu handicap, os torneios são sempre divertidos e uma forma de praticar com uma boa pressão adicional. Com a pandemia em seu final, os torneios voltaram com tudo e dá para se dizer que devemos voltar a ter mais de 50 torneios por ano no estado. Tipicamente se gasta de 300 a 600 reais para se jogar um torneio, e tais torneis têm tipicamente um 1º dia de treino e de 1 a 3 rounds totais válidos para contagem do ranking final.

Riacho Grande Golf Club – São Bernardo

Tee 14: Campos com mais inclinações e elevações. Os campos de golfe mais “normais” são tipicamente planos, com fairways sem inclinação, greens e bandeiras vistas do tee de saída. Mas alguns campos do estado fogem totalmente a esta regra, sendo bastante atípicos e, por isso, desafiadores. Os campos do Portal do Japy, Vila da Mata e Vista Verde chamam a atenção pelos seus declives, subidas, descidas e montanhas diversas pelos buracos, tees de saída do alto de penhascos, greens do outro lado de florestas etc. O campo do Riacho Grande é um outro exemplo, mas com outras características, por ser um campo longo (jardas), com grama pesada, condições climáticas adversas (muitas vezes a neblina baixa no meio do jogo e bate-se a bola com menos de 50 jardas de visibilidade!) e buracos desafiadores.

Damha

Tee 15: Campos mais acolhedores. No geral o golfista visitante é sempre bem recebido nos campos do estado. Mas sempre há aqueles campos onde o acolhimento, recepção e atenção são especiais. Vale mencionar os trabalhos dos responsáveis e atenção dada nos campos de Limeira/Fazenda Itapema (Camal), Ibiúna (Tony), Bauru (Éder), Taiá (Beto), Bastos (Leonardo) e Sapezal (Ademir e Nivaldo).

Tee 16: Campos mais bem cuidados. É sabido a dificuldade de se manter um campo de golfe em ótimo estado. Greens, fairways, tees de saída, sinalizações, estacas, caminhos e interligações entre os buracos etc. Dado este contexto, alguns campos em São Paulo se sobressaem. Se Damha, Ipê, Fazenda da Grama, Clube de Campo de SP e Arujá são impecáveis de manutenção, vale citarmos aqui o trabalho feito no Riacho Grande, talvez sendo este o campo mais complicado de se manter, pelas condições de clima, chuvas constantes, neblina e distância do ambiente urbano. As recuperações sendo feitas nos campos de Ibiúna, Sapezal e Taiá merecem menções também.

Taiá

Tee 17: Experiência mais “raiz”. Para quem curte um golfe mais roots, sem frescuras, campo mais rústico, gramas mais altas, fairways mais difíceis etc, sem dúvida saltam aos olhos os campos de Ibiúna, o Champs Privé de Campo Limpo, o Taiá de Mogi das Cruzes e o Avaré Golf Country. Apesar de serem campos tipicamente fora das listas de “top courses”, vale dizer que há vários ganhos ao jogar neste tipo de campo… Pouquíssimos golfistas jogando (sem pressão atrás e sem gargalos à frente), possibilidade de se treinar muito mais (pode-se bater várias bolas, treinar tacadas aleatórias etc), custos menores, treinar batidas em condições ruins, horários menos rígidos, sem necessidade de seguir etiquetas formais como dress code, dentre outras vantagens.

Tee 18: Projeto mais impactante. O projeto mais impactante do estado, sem dúvida alguma, em minha visão,

Taiá

com impacto social e de desenvolvimento de cidadãos é o Projeto Corujinha (https://www.projetocorujinha.com.br/), no Coruja Golfe Clube em Louveira. Ficam aqui meus parabéns pelo projeto, pela receptividade que tive quando estive lá e pela execução bem feita pelos irmãos Pedro e João Costa Lima e pela professora de educação física Regina Denadai, umas das líderes do projeto. Exemplo de como o golfe também pode ajudar este País!

 

Corujinha

Mesmo reconhecendo a potência e relevância do Estado de São Paulo também no golfe (60 dos aproximadamente 120 campos do Brasil estão no estado!), fica aqui minha torcida para que o golfe se espalhe igual e rapidamente para todos os estados do Brasil e atinja pessoas de qualquer idade, sexo, poder aquisitivo e que leve diversão, aprendizados e o desenvolvimento de habilidades a todos que o praticarem!

Se minha paixão por viagens e conhecer novas culturas me levaram a já ter conhecido mais de 100 países, minha recente paixão pelo golfe certamente vai me levar a conhecer os mais de 100 campos no Brasil (já passamos de 70…). Até a próxima aventura!

Fernando Ruiz

 

 

Fernando Ruiz, 44 anos, professor de cursos de gestão de negócios, consultor empresarial, empreendedor e apaixonado por viagens e pelo golfe. Casado e tem duas filhas.

Quer me mandar sua opinião sobre os buracos mais espetaculares, campos mais lindos, mais desafiadores ou qualquer outro comentário sobre golfe? @ruizfernando no Instagram ou ruiz@usp.br

 

 

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