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Guilherme Grinberg supera Matheus Park no desempate no Aberto do São Fernando

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Guillerme Grinberg Foto: Thais Pastor/F2

Guillerme Grinberg
Foto: Thais Pastor/F2

Um birdie de seis metros de distância, no segundo buraco do desempate, debaixo de garoa fina, frio intenso e em frente a um público de mais de uma centena de pessoas, deu a Guilherme Grinberg o título do 51º São Fernando Open – 2019, um dos torneios mais antigos, tradicionais e difíceis do Brasil.

A competição disputada de sexta-feira a domingo, 2 a 4 de agosto, valeu para o ranking mundial amador de golfe (WAGR), para o ranking nacional e para os rankings scratch e por handicap índex (até 19,4) da Federação Paulista de Golfe (FPG).

Único a jogar abaixo do par neste domingo, e também único a fazer isso por duas vezes na semana, Guilherme, do São Paulo GC, que foi líder no primeiro dia, mas caíra para o quarto lugar no sábado, somou 214 (69-76-69) tacadas, uma acima, para empatar em primeiro com o também juvenil Matheus Paradise (74-69-71), do Paradise. O desempate foi jogado no buraco 18, onde ambos haviam feito par no último dos 54 buracos regulares, com Matheus errando de menos de dois metros o putt que teria lhe dado a vitória. No primeiro buraco extra, ambos fizeram par. No segundo, Gui que estava mais distante, embocou o birdie, enquanto Matheus, de uns cinco metros, errava por pouco.

Tropeço – Andrey Xavier, do Belém Novo, de Porto Alegre, começou o dia vencendo por uma e no buraco 6 já havia aberto quatro de vantagem sobre Matheus e estava cinco à frente de Guilherme e Thomas Choi, do São Paulo. O jogo começou a virar quando Guilherme, que jogava no penúltimo grupo, embocou das 25 jardas, para fazer um eagle-3, no buraco 7, reduzindo sua diferença para três tacadas. Pouco depois, o jogo cresceu em emoção, quando Andrey errou o green do buraco 9 e ainda deu três putts para fazer um duplo bogey-6 e ver sua vantagem ser reduzida para apenas uma tacada.

Andrey não só sentiu o erro como levou isso para os buracos seguintes, onde fez mais três bogeys consecutivos. Errou o drive no 10 e foi na água no 11, em ambos “salvando” bogeys com putts difíceis, e passou muito o green do 12, de par 3, ficando curta na volta, para fazer novo bogey depois de deixar a bola dada com um chip difícil e muito bem executado. Um birdie, no 13, com mais um chip “milagroso”, em descida, da banca de grama, o reanimou a voltar ao jogo, mas Andrey colocou tudo a perder no 15, onde bateu o drive na água, entrou no green com a quinta e deu dois putts para fazer um triplo bogey-7 e ainda se dar feliz por terminar em terceiro, com 218 (70-72-76), cinco acima, a quatro tacadas do playoff.

Decisão – Como Choi também estava devolvendo tacadas para o campo – jogou três acima de ida e piorou ainda mais – a disputa do título ficou entre Guilherme, que jogava no penúltimo grupo, e Matheus, que vinha logo atrás, no pelotão. Matheus, que jogou uma acima de ida com um duplo bogey no 3, o buraco mais difícil da semana, tomou um baita susto no 10, onde pensou ter batido o drive para fora de campo, fazendo o mesmo com mais duas bolas provisórias. Mas antes de bater o que seria sua oitava tacada para o green, a caminho de fazer um 10, achou a primeira bola um palmo dentro do campo, deu uma bela tacada de aproximação e fez o par.

Guilherme, que vinha vencendo por uma, ampliou a vantagem com um birdie no 14, mas Matheus voltou a diminuir a diferença para uma, com um birdie no 15. No 16, um par 4 “disfarçado” de par 3, com 240 jardas e água à esquerda, do tee ao green, ambos optaram por colocar a bola na raia, com segurança, em vez de buscar o green, mas Gui passou muito da bandeira com segunda e errou o putt para par, enquanto Matheus salvava o par, para empatar em primeiro e ser líder pela primeira vez na semana, ao lado de Guilherme. Os dois não conseguiram o birdie no 17, de par 5, e Matheus errou o putt curto no 18 que teria lhe dado o título.

Maturidade – Esse foi o quinto título de Guilherme em torneios do ranking mundial em oito meses. Nesse período, em 14 torneios do WAGR que jogou no Brasil, ele foi ainda duas vezes vice-campeão e teve mais cinco colocações entre os cinco primeiros, ou seja terminou 12 vezes como Top 5, em 14 tentativas. Nada mal para um menino que acaba de completar 16 anos e que vem adicionando a maturidade que lhe faltava, ao seu talento. Como resultado, Guilherme se firmou como o terceiro colocado do ranking nacional e como o terceiro brasileiro mais bem colocado no ranking mundial.

A maturidade que Guilherme vem ganhando ainda falta a Choi, que carrega os erros para os buracos seguintes, levando-o a alternar grandes exibições com voltas desastrosas, como a deste domingo, onde jogou sete acima para terminar em quarto, com 222 (71-73-78), nove acima. Bem diferente do Choi que venceu esse torneio em 2014, aos 12 anos. Pior ainda foi o desempenho de Daniel Kenji Ishii, do Itanhangá, que jogou mal em todo o final de semana para ficar distante, em quinto, com 227 (72-77-78). Por sorte ele não perdeu o posto de número 1 do Brasil para Andrey, que precisava vencer com pelo menos duas abaixo do par (resultado que vinha fazendo até o 8) para que isso acontecesse.

Os jogadores do São Fernando ficaram com as quatro colocações seguintes, sendo que o melhor deles foi Pietro Alvin, sexto colocado, com 228 (75-77-76). A seguir, terminaram Leonardo Dale, que começou o torneio em terceiro e terminou em sétimo, com 230 (71-82-77); Rafael Benadiba, oitavo, com 231 (77-75-79); e Alex Yugo Hirai, campeão desse torneio em 2013, que ficou em nono, com 233 (75-80-78). Destaque ainda para Pedro Miyata, de apenas 12 anos, também do São Fernando, que fez uma excelente volta de abertura e terminou empatado em 11º, com 239 (76-82-81).

Handicaps – No São Fernando Open os troféus são acumuláveis e, com isso, Guilherme venceu também na categoria com handicap índex até 8,5, com 220 tacadas, seis a mais do que na scratch, pois tem handicap +2. Emerson Godinho, do Vista Verde, foi o vice-campeão com 221 (77-73-71), no desempate com Matheus Oliveira, do Damha (74-74-73). Na 8,6 a 14, a vitória foi do juvenil Rafael Ziccardi, do Clube de Campo, com 218 (77-66-75), graças ao melhor net da semana. Kendall Dunn, de Bastos, foi o vice com 219 (73-74-72), seguido por Fabio Frugis Cruz, do São Fernando, com 223 (71-77-75).

E na 14,1 a 19,4, nova vitória do Clube de Campo, com Cassio Filizola sendo campeão com 224 (80-70-74) tacadas, depois de ter feito, no sábado, o único net abaixo do par de toda a categoria. João Migotto, do São Fernando, foi o vice, com 225 (75-73-77), seguido por Henrique Pires Marin, do Vila da Mata, com 235 (78-78-79). Houve cortes em todas as categorias para a volta de domingo, o que reduziu o total de 103 para 79 jogadores, permitindo saídas sequenciais apenas pelo tee do 1.

Homenagem – Richard Conolly, diretor do torneio, abriu a cerimônia de premiação pedindo um minuto de silencio em homenagem à memória de Mario Gonzalez, o maior golfista brasileiro de todos os tempos e pai de Jaime Gonzalez, head-pro do clube. Em respeito, as bandeiras do São Fernando, Federação Paulista e Confederação Brasileira de Golfe ficaram hasteadas a meio mastro durante a competição.

A mesa de premiação foi composta ainda por Edson Santos, presidente do São Fernando, que entregou uma placa em homenagem a Conolly, ex-presidente do clube e sócios do R&A, onde já integrou o Comitê de Regras da entidade máxima do golfe mundial. Também participaram da premiação o vice-presidente Hélio Fabbri, o capitão Carlos Candido e o diretor de campo Rodrigo Somlo. Eduardo Bradaschia, vice-presidente da FPG, representou a entidade.

Organização – O 51º São Fernando Open – 2019 teve organização do São Fernando Golf Club e da Federação Paulista de Golfe, com supervisão do R&A, WAGR e Confederação Brasileira de Golfe. Os apoiadores foram Bueno Wines, Copag, FCB, Grupo Vita, Imperatriz, Saxo Bank, Sofitel, Spec, Visco, Viva Amazon e WDC.

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